Pense num objeto da sua casa que pertenceu ao seu avô.

Pode ser um relógio, uma ferramenta, um móvel. Algo concreto, com peso, com história. Agora pense em quantas pessoas da sua família sabem a história desse objeto. De onde veio, o que ele significava, quem o usava.

Agora pense numa fotografia antiga da sua família.

A diferença é imediata. Você vê os rostos, a postura, a época, o afeto que existia entre as pessoas naquele momento. Você entende algo sobre quem eram essas pessoas sem que ninguém precise te contar. A imagem fala por si mesma, décadas depois, para alguém que talvez nunca tenha conhecido nenhum dos retratados.

Nenhum outro bem faz isso.

Imóveis passam de geração em geração, é verdade. Mas imóveis se vendem, se dividem, se deterioram. Dinheiro se gasta. Joias se perdem. Móveis envelhecem de um jeito que eventualmente os torna descartáveis. Até os objetos mais queridos perdem contexto com o tempo. Viram coisas sem dono, sem história reconhecível, sem vínculo afetivo com quem os herda.

Uma fotografia de família bem feita não envelhece dessa forma.

Ela não precisa de manutenção. Não ocupa espaço demais. Não se divide em partes iguais entre os herdeiros. E ao contrário de quase qualquer outro bem, ela se multiplica sem perder valor. Cada cópia carrega o mesmo peso emocional da original.

Existe uma geração inteira de famílias brasileiras que não tem registro fotográfico de qualidade dos seus próprios membros. Não por falta de cuidado, mas porque a fotografia profissional de família nunca entrou na lista de prioridades. Havia sempre algo mais urgente, mais necessário, mais concreto para investir.

O resultado é um vazio silencioso que só se percebe muito tempo depois.

Quando alguém falece e a família procura uma boa foto para o velório, para o obituário, para pendurar na parede, e não encontra nada. Ou encontra uma foto ruim, mal iluminada, tirada de longe numa festa. Uma imagem que não representa quem aquela pessoa realmente era.

Esse é um tipo de perda que não tem como ser reparado.

Fotografias de família não são registro do passado. São mensagens para o futuro.

Quando você faz um ensaio de família hoje, não está fazendo isso apenas para você. Está fazendo para os seus filhos, que vão querer se lembrar de como era a família quando eram pequenos. Para os netos, que vão querer saber como os avós eram quando jovens. Para pessoas que ainda não nasceram e que vão olhar para aquelas imagens tentando entender de onde vieram.

Há uma pergunta que às vezes faço para as famílias que chegam ao estúdio em dúvida sobre se vale a pena.

Você tem uma boa foto do seu pai quando ele tinha a sua idade atual?

A maioria não tem. E quando percebe isso, percebe também o que significa não ter.

Ensaio de família não é luxo. É o registro mais honesto e mais duradouro que uma família pode fazer de si mesma num determinado momento da vida. Uma prova de que existiram, de que estavam juntos, de que se importavam o suficiente para parar um dia e se olhar.

Isso atravessa gerações inteiras. Quase nenhum outro bem consegue fazer o mesmo.


O Estúdio Fanara, em Niterói, realiza ensaios de família para quem entende que guardar a imagem de quem se ama é uma das formas mais concretas de cuidado. Se você quer criar esse registro para a sua família, entre em contato.

João Fanara

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