Nesta semana, o Rio de Janeiro recebe a primeira edição do Rio Fashion Week em mais de dez anos. São cerca de 30 desfiles no Píer Mauá, com marcas de todo o Brasil, e a cidade volta ao calendário oficial da moda nacional. É um evento grande. Mas o que me chamou atenção como fotógrafo não foi o tamanho do evento. Foi o que ele confirma.
A moda em 2026 cansou do genérico. O Pinterest Predicts batizou a tendência do ano de “construção de identidade”. Na prática, o que está em alta é renda, maximalismo, referências dos anos 80, estampas que ninguém esperava ver de volta. A moda utilitária trouxe bolsos pra tudo quanto é peça. O gótico voltou repaginado, com veludo, couro e transparências. O animal print abandonou a oncinha e migrou pra estampas de bambi.
E agora o Rio sedia uma fashion week inteira construída em cima dessa ideia: moda como expressão de quem a pessoa é.
Isso respinga diretamente no meu trabalho com fotografia profissional. E se você usa sua imagem pra trabalhar, provavelmente no seu também.
A era da foto profissional genérica ficou pra trás
Durante muito tempo, o padrão de retrato corporativo foi quase um uniforme. Fundo branco ou cinza, camisa social, braços cruzados, sorriso contido. Se você abrir o LinkedIn agora e rolar o feed, vai encontrar centenas de fotos assim. Elas cumprem um papel básico: mostrar que a pessoa existe. Mas não fazem mais do que isso.
O problema é que em 2026, “existir” não basta. O LinkedIn virou uma plataforma de conteúdo onde a imagem do perfil é o primeiro ponto de contato com quem pode ser seu próximo cliente, sócio ou empregador. Dados indicam que perfis com foto profissional recebem até 14 vezes mais visualizações do que perfis com fotos amadoras ou sem foto. Isso não é pouca coisa.
Mas aqui vai o detalhe que muita gente ignora: não basta ter uma foto profissional. Ela precisa dizer algo sobre quem você é. E a foto genérica de fundo branco, por mais bem iluminada que seja, diz pouco.
O que mudou nos pedidos que recebo no estúdio
Trabalho com fotografia profissional em Niterói há anos, e consigo ver essa mudança acontecendo nos briefings que recebo.
Antes, a conversa era rápida: “Quero uma foto pra botar no LinkedIn, algo sério.” Pronto. Fundo neutro, iluminação flat, cinco minutos e tá resolvido.
Hoje o papo é outro. Um advogado me disse que queria uma foto “que mostrasse que ele é acessível, não aquele cara de escritório intimidador.” Uma consultora pediu pra fazer as fotos com o notebook aberto, porque ela trabalha de coworking e queria que a imagem passasse isso. Um arquiteto fez questão de incluir uma maquete no enquadramento.
Essas pessoas não estão fazendo ensaio de moda. Estão tentando comunicar quem são de verdade. E a fotografia profissional em 2026 precisa dar conta disso.
Foto gerada por IA: atalho ou armadilha?
Tem uma conversa que não dá mais pra ignorar: as fotos de perfil geradas por inteligência artificial.
Nos últimos meses, viralizou a tendência de usar IA pra criar retratos corporativos a partir de selfies. Ferramentas como ChatGPT e Gemini oferecem isso de graça. Você manda uma foto casual e recebe de volta uma versão “profissional”, com fundo de escritório, roupa social e iluminação de estúdio.
Funciona? Visualmente, sim, algumas ficam até convincentes. Mas tem um problema que vai além da estética.
A foto gerada por IA pega a sua cara e encaixa num template. Ela padroniza. Faz exatamente o oposto do que as tendências de 2026 pedem. Se a moda está dizendo “mostre quem você é”, a IA está dizendo “deixa que eu invento uma versão aceitável de você.”
Fora a questão da confiança. Quando alguém te encontra pessoalmente depois de ver seu perfil e percebe que a foto não se parece com você (roupas diferentes, cabelo diferente, até formato do rosto levemente alterado), isso quebra a credibilidade que a foto deveria construir.
Foto gerada por IA pode servir pra você brincar e ter uma noção de como ficaria com outra roupa ou outro fundo. Mas usar como foto oficial do seu perfil profissional? Eu, pessoalmente, acho arriscado. É uma foto de alguém que se parece com você mas não é você. E cedo ou tarde alguém vai notar.
O que uma boa foto profissional precisa ter em 2026
Não existe uma fórmula única, e esse é justamente o ponto. Mas depois de alguns anos fazendo retratos corporativos e acompanhando o que gera mais resultado pros meus clientes, consigo apontar o que faz diferença.
A foto precisa parecer com você. Eu sei que isso soa redundante, mas você não imagina a quantidade de gente que entra no estúdio querendo parecer outra pessoa. Mais jovem, mais sério, mais magro, mais qualquer coisa. A foto até fica bonita, mas quando o cliente vê, não se reconhece. E aí não usa.
A iluminação precisa ser intencional. Iluminação flat e homogênea era o padrão porque era segura. Hoje, trabalhar com contraste, usar luz lateral ou até fotografar com luz natural em um ambiente real pode gerar uma imagem com muito mais personalidade.
O cenário importa. Não precisa ser um fundo branco infinito. Pode ser o seu escritório, a fachada do seu negócio, um café que você frequenta. O ambiente diz alguma coisa sobre você, e quando a foto é feita num lugar que faz sentido, ela conta uma história sem precisar de legenda.
O corpo fala. Braços cruzados passam uma mensagem. Mãos nos bolsos, outra. Inclinação do corpo, direção do olhar, postura. Um bom fotógrafo dirige essas coisas durante o ensaio, e faz diferença enorme no resultado.
Fotografia profissional e marca pessoal: por que isso importa agora
A gente vive num momento em que a marca pessoal deixou de ser papo de coach e virou necessidade prática. Quem trabalha como autônomo, consultor, advogado, médico, arquiteto ou qualquer profissional liberal precisa ser encontrado e precisa passar confiança antes mesmo da primeira conversa.
O LinkedIn em 2026 funciona cada vez mais como mecanismo de busca profissional. O algoritmo prioriza perfis completos, com fotos de qualidade e conteúdo consistente. A foto do perfil virou ferramenta de posicionamento, goste você ou não dessa ideia.
E isso não vale só pro LinkedIn. A mesma foto aparece no Google quando alguém pesquisa o seu nome. Aparece no site da empresa, no cartão de visita digital, no perfil do Instagram profissional. Uma boa foto profissional trabalha por você em vários lugares ao mesmo tempo.
A conexão entre moda, identidade e fotografia (sim, existe)
Pode parecer estranho um fotógrafo ficar falando de tendência de moda. Mas o que está acontecendo no Píer Mauá essa semana, com o Rio Fashion Week, diz respeito a qualquer pessoa que usa a própria imagem pra trabalhar.
O maximalismo voltou porque as pessoas querem se expressar. O gótico reapareceu porque tem gente que se identifica com essa estética e cansou de fingir que não. A renda saiu da lingerie e foi parar em bandanas, cintos e capinhas de celular, porque deixou de ser “delicada demais” pra ser “coisa da minha identidade.”
E o Rio Fashion Week não voltou depois de dez anos pra repetir fórmula. Voltou porque o mercado mudou e quer ver identidade na passarela, não cartilha.
Na fotografia profissional, o movimento é parecido. O retrato corporativo está saindo do molde. Não pra virar bagunça, que fique claro. Ninguém quer parecer que tirou a foto no meio de uma mudança. Mas pra deixar passar um pouco mais de quem a pessoa realmente é.
Se a fashion week mais importante do Rio em uma década está acontecendo aqui do lado, talvez esse seja um bom momento pra olhar pro seu próprio perfil e se perguntar: essa foto ainda me representa?
Quando é hora de atualizar sua foto profissional
Uma pergunta que me fazem com frequência: com que frequência preciso trocar minha foto de perfil?
Não existe regra fixa, mas existem momentos que pedem atualização. Mudou de cargo? Abriu uma empresa? Perdeu ou ganhou peso de um jeito que a foto antiga já não reflete quem você é? Mudou o corte de cabelo? Ou simplesmente faz mais de três anos que a foto foi tirada?
Se qualquer uma dessas situações se aplica, provavelmente está na hora.
E mais: se a sua foto atual foi feita naquele padrão fundo branco e braços cruzados de 2018, ela não está comunicando nada sobre quem você se tornou desde então.
Ensaio profissional em Niterói: como funciona no Estúdio Fanara
Aqui no Estúdio Fanara, em Niterói, o processo começa com uma conversa. Antes de ligar qualquer luz ou montar qualquer cenário, eu preciso entender o que você quer comunicar. Qual é a sua área, quem é o seu público, qual imagem você quer passar.
A partir daí, a gente define juntos o estilo do ensaio: mais formal ou mais descontraído, em estúdio ou em locação, com qual tipo de roupa, qual paleta de cores faz sentido.
O ensaio em si costuma durar entre 40 minutos e uma hora. Tempo suficiente pra você relaxar na frente da câmera e a gente encontrar aquele enquadramento que funciona.
No final, você sai com imagens que servem pro LinkedIn, pro site, pras redes sociais e pra qualquer material de comunicação que precisar. Tudo com uma identidade visual que é sua, não de um template.
Se quiser conhecer mais do meu trabalho, dá uma olhada no fanara.com.br.
João Fanara é fotógrafo profissional e proprietário do Estúdio Fanara, em Niterói/RJ. Especializado em retratos corporativos e ensaios de moda.

