Isso me diz algo sobre Niterói que poucos profissionais daqui percebem.

Quando abri o estúdio no centro de Niterói, ouvi algumas vezes a mesma observação: que seria mais fácil se eu estivesse no Rio. Zona Sul, Leblon, Barra. Onde o dinheiro circula, onde os clientes corporativos estão.

Alguns anos depois, o que eu vejo na prática é diferente.

Uma parte relevante dos clientes que passa pelo estúdio vem do Rio de Janeiro. Executivos, advogados, profissionais de saúde que moram ou trabalham lá e fazem a travessia para cá. Alguns de barca, outros pelo Niterói-Rio. Vêm porque encontraram o trabalho, pesquisaram, acharam o que buscavam e decidiram que a baía não era obstáculo.

O cliente de Niterói, por outro lado, raramente sai da cidade para resolver algo que pode resolver aqui. E isso não é comodismo. É lealdade ao próprio território.

O que Niterói tem que o Rio não tem

Niterói é uma cidade com mercado próprio, renda própria e uma classe profissional consolidada que muitas vezes é subestimada. Médicos, advogados, empresários, executivos que constroem carreiras sólidas sem precisar cruzar a ponte para isso.

E esse profissional, quando precisa de alguma coisa, busca primeiro em Niterói. Se encontra qualidade aqui, não vai ao Rio. A conveniência geográfica importa, sim. Mas mais do que isso: existe um orgulho legítimo de quem vive e trabalha nesta cidade de consumir o que ela produz.

Eu me beneficio disso. E entendo que é uma responsabilidade também.

Por que clientes do Rio atravessam a baía

A resposta mais simples: porque o que eles buscam não tem endereço fixo.

Quando alguém pesquisa um fotógrafo para retrato corporativo, não começa pela localização. Começa pelo portfólio, pela consistência do trabalho, pelo que outros clientes dizem. A localização entra depois, como um filtro prático. E nessa etapa, Niterói não é um problema. Para quem trabalha no centro do Rio, a barca é mais rápida que o trânsito de um bairro para outro dentro da própria cidade.

A baía separa geograficamente. Mas não separa quem decidiu que quer um trabalho específico.

O que traz o cliente do Rio até aqui não é a proximidade. É a convicção de que vai encontrar o que procura. Essa convicção vem do trabalho, não do CEP.

O que isso significa para o profissional de Niterói

Se você é médico, advogado, empresário ou executivo nesta cidade e ainda acha que precisa ir ao Rio para ter acesso a serviços de qualidade, vale rever essa ideia.

Niterói tem mercado, tem público qualificado e tem prestadores que trabalham em nível alto. O que às vezes falta é visibilidade. Não qualidade.

E visibilidade, no mundo digital, começa pela imagem. Pela forma como você aparece antes de qualquer conversa. Pela foto que o cliente vê quando pesquisa seu nome numa quinta-feira à noite, antes de decidir se manda mensagem ou não.

Niterói não precisa imitar o Rio para ser relevante. Ela já é. O que falta, às vezes, é o profissional daqui acreditar nisso com a mesma convicção que o cliente do Rio já demonstrou quando comprou a passagem da barca.

João Fanara

Fotógrafo especializado em retratos corporativos, Estúdio Fanara, Niterói.

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