Ano passado todo mundo virou modelo de campanha publicitária sem sair de casa. Uma selfie, um prompt no ChatGPT ou no Gemini, e em cinco minutos sai um “retrato profissional” com blazer que a pessoa nunca vestiu, luz que nunca existiu, fundo de escritório que fica em algum lugar entre a Califórnia e o Photoshop.
Entendo a lógica. É rápido, custa quase nada, resolve aquele problema chato de não ter uma foto decente pro LinkedIn. Mas em paralelo, cresce a desconfiança com esse tipo de imagem. Tem gente pagando por pacote de cem fotos e recebendo de volta um rosto que só parece com ela de longe. Recrutador já comentou publicamente que retrato bom demais, parado demais, levanta suspeita. E o próprio LinkedIn andou às voltas com uma onda de perfis falsos usando rosto gerado por IA — mais de mil identificados numa investigação de pesquisadores de Stanford.
Foi mais ou menos essa pergunta que guiou a reforma do meu estúdio: o que ainda vale alguma coisa quando qualquer rosto pode ser fabricado em cinco minutos?
Durante anos meu espaço foi o clássico: fundo branco, luz de estúdio, retrato bonito que não dizia muito sobre quem a pessoa era. Mudei praticamente tudo. A iluminação fixa também entrou na reforma: troquei por lâmpadas com CRI acima de 90, que devolvem a cor real da pele em vez daquele tom meio achatado que a gente já se acostumou a ver em foto de estúdio. Ela virou minha rede de segurança, a luz ambiente que sustenta bem mesmo sozinha. Mas quem constrói o retrato mesmo é o flash: uso vários pontos pra criar camadas de luz na cena, do jeito que uma sala de verdade é iluminada, com claro e escuro se revezando em vez de tudo estourado igual. Além disso entraram poltronas de design contemporâneo, mesa de escritório de verdade, cadeira assinada. O ambiente hoje lembra um consultório, um escritório, o tipo de lugar onde médico, psicólogo, advogado passa o dia de trabalho de verdade.
A ideia é simples: fotografar a pessoa dentro de um contexto que já é dela por profissão, com uma luz que respeita a pele que ela realmente tem, sem terceirizar pra um algoritmo a tarefa de inventar um blazer.
Continuo achando engraçado que, quanto mais fácil fica fabricar uma foto, mais gente sente falta de uma que seja de verdade.
Se você é médico, advogado, psicólogo ou outro profissional liberal e vive de passar confiança logo de cara, separei um horário essa semana pra te mostrar o estúdio novo.

