Pode parecer exagero, mas acompanhe o raciocínio.
A profissão inteira se apoia numa coisa que não se vê: a palavra de quem assina merece crédito. O cliente não compra petição. Compra a sensação de que está nas mãos de alguém que sabe o que faz e não vai falhar com ele.
O que mudou é que essa sensação ficou mais difícil de produzir. A inteligência artificial aprendeu a fabricar coisas que parecem verdadeiras. Texto, áudio, imagem, documento. Tão bem que o próprio Judiciário precisou correr atrás.
Em março, o TSE aprovou a resolução mais abrangente do mundo sobre uso de IA em eleições, com regra específica para conteúdo sintético. Em junho, o CNJ aprovou orientações para impedir que comandos ocultos enganem a IA dos tribunais. Quando a Justiça monta defesa formal contra o que é falso, é porque “o que é real” deixou de ser óbvio.
E aqui está o ponto que poucos param para pensar.
Se até dentro do tribunal a autenticidade virou questão técnica, ela também virou questão lá fora. No primeiro contato. Na tela do celular do cliente que vai decidir se confia em você antes de trocar uma palavra.
Atendo advogados o suficiente para ver o padrão se repetir. O profissional caprichou na tese, na sustentação, na argumentação. E parou na foto. Subiu um avatar gerado por IA, ou um recorte de evento, ou uma imagem de cinco anos atrás. Achou que era detalhe.
Não é detalhe. É o primeiro teste de confiança que o cliente faz, e ele faz rápido. O cérebro forma julgamento de competência olhando um rosto em torno de 100 milissegundos. É a pesquisa do Alexander Todorov, em Princeton. Cem milissegundos é menos do que o tempo de ler o seu nome.
O que me incomoda é a contradição. O cara passou a carreira construindo a reputação de ser confiável, e entrega a primeira impressão a uma máquina que fabrica rosto. A mesma lógica que o tribunal está aprendendo a barrar.
Foto profissional de advogado não é vaidade. É coerência. É a imagem dizendo a mesma coisa que a petição diz: tem aqui uma pessoa real, que responde pelo que assina.
Num ano em que confiar virou problema técnico, parecer real virou vantagem.
João Fanara
Faço retrato corporativo no Centro de Niterói, a três quadras das Barcas. Para quem vem do Rio, são 15 minutos de barca até a Praça Araribóia. Direção de pose do início ao fim e entrega no mesmo dia na maioria dos casos. Se a sua foto de perfil não está mais à altura do que você construiu, chama no WhatsApp (21) 99416-0648.

