A Avenida Ernani do Amaral Peixoto não recebia obra de requalificação desde 1940. Em novembro de 2025, a Prefeitura de Niterói assinou a ordem de início de um projeto de R$ 78,9 milhões que vai reformar aproximadamente 35 mil metros quadrados do Centro da cidade: novas calçadas, drenagem, iluminação de LED, paisagismo com espécies nativas e aterramento de fiação. O prazo é dois anos, com conclusão prevista para novembro de 2027. A Rua da Conceição e a Rua Dr. Celestino estão no escopo.

“O Centro de Niterói ficou muito tempo parado, esquecido. Mas as pessoas continuaram aqui. Continuaram abrindo consultório, escritório, construindo clientela. A obra é o poder público reconhecendo o que o mercado já tinha percebido antes”, diz João Fanara, fotógrafo profissional há doze anos, que mudou o estúdio do Centro do Rio para o Centro de Niterói em janeiro de 2026, dois meses depois da assinatura das obras.

A reforma da Amaral Peixoto não é o começo dessa história. Durante décadas, Niterói foi a cidade dormitório. Quem morava aqui trabalhava lá, do outro lado da baía. O Centro do Rio era o destino. A barca, o caminho.

Esse mapa foi mudando ao longo dos anos 2000 e 2010, quando grandes empresas saíram do Centro do Rio e foram para a Barra da Tijuca. O esvaziamento da área central carioca piorou com a crise fiscal do estado em 2016, cujo déficit projetado chegou a R$ 19 bilhões, e com a pandemia, que normalizou o teletrabalho e acabou com deslocamentos diários que antes eram inevitáveis.

“Eu fotografei profissionais liberais por anos no Centro do Rio. Aos poucos ficou claro que o mercado estava se deslocando. Niterói me parecia mais próspera, mais estável. Decidi trazer o estúdio para cá.”

Os números dão base para essa leitura. O Censo 2022 apontou que Niterói tem a maior renda per capita do estado do Rio, com renda média mensal do trabalho de R$ 5.371 em julho de 2022. A economia da cidade gira em torno de serviços: clínicas, escritórios de advocacia, consultorias e tecnologia. Entre 2006 e 2021, o crescimento do PIB municipal foi o terceiro melhor entre os municípios do estado do Rio de Janeiro.

A Prefeitura tem investido no Centro há alguns anos. A nova Avenida Visconde do Rio Branco foi entregue em 2025, com R$ 77 milhões investidos. A Arena Niterói, na Concha Acústica, está prevista para o mesmo ciclo. “O Centro será o novo vetor de desenvolvimento da cidade neste novo ciclo”, disse o prefeito Rodrigo Neves na cerimônia de assinatura das obras da Amaral Peixoto.

Fanara trabalha dentro do canteiro de obras.

“Meu estúdio fica na Rua da Conceição, que está dentro do projeto de revitalização. Convivo com as obras todos os dias. Tem incômodo, trânsito, barulho. Mas dá para ver que o Centro está sendo levado a sério. Não é obra por obra.”

A mudança mais marcante para ele, no entanto, não é a da rua. É a do perfil de quem agenda sessão.

“O profissional liberal que construiu a carreira em Niterói, fora da grande empresa, precisa de uma imagem que sustente isso. Precisa aparecer bem no LinkedIn, no site, no material que manda para o cliente. Isso não existia tanto aqui há uma década. Hoje as pessoas reconhecem como necessidade.”

A Amaral Peixoto tem dois anos de obras pela frente. O Centro que vai emergir delas carrega 85 anos de espera.

João Fanara é fotógrafo especializado em retratos corporativos e ensaios. Atende no Centro de Niterói. Mais informações em fanara.com.br

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